Mameto Kamurici “resistência afro-baiana”
"Falamos sobre a nossa história, lutas e vivências"
No atual cenário pandêmico as redes sociais se tornaram ferramentas essências e uma aliada neste período. Possibilitando a manutenção dos laços familiares, amigos, rotina de trabalho e muito mais. A internet vem tendo um papel fundamental durante a suspenção de muitas atividades presenciais, pois, prevenir e cuidar da gente e dos outros é imprescindível para frearmos a transmissão. E foi através do WhatsApp que conversei com Maria Lúcia de Santana Neves, filha de Gildete de Santana Neves e Antônio das Neves. Neta sanguínea e filha espiritual de Mãe Mirinha de Portão, nascida no Rio de Janeiro, em 16 de outubro de 1964. Residente em Lauro de Freitas desde os seus seis anos. Com vocês a nossa querida Mamento Kamurici da Gomeia, uma mulher extraordinária, referência permanente na religiosidade em nossa cidade e no Brasil.
Foi no início dos anos 2000 que há conheci, através do meu saudoso amigo, Raimundo do Bankoma, que completou sua jornada aqui na terra, mas nos deixou um legado admirável. Mês passado entrevistei Jander Neves, vocalista do Bankoma, um jovem talentoso, inteligente e respeitável militante da cultura afro-brasileira.
Portanto, estamos falando de uma das mais importantes famílias de nosso município, comprometida em manter viva a riquíssima herança enraizada na espiritualidade ancestral, nas artes, no social e no amor ao próximo. Vou aproveitar a oportunidade para expor algumas fotografias que fiz quando conheci Mamento Kamurici, há cerca de 20 anos, durante um dia festivo, presente para Dandalunda, senhora das águas. O cortejo saiu do Terreiro São Jorge Filho da Goméia até a lindíssima Lagoa do Abaeté, foi um dia memorável.
Documentário “Samba de Santo, resistência afro-baiana”
Estreou no dia 07 de maio no Globoplay. E para quem não conseguiu assistir na pré-estreia, durante a Mostra Internacional de Cinema de SP no ano passado, a partir de agora, o filme está disponível em uma das maiores plataformas de streaming do Brasil e também no catálogo Globoplay internacional. E no segundo semestre será exibido no Canal Bis.
Terreiro São Jorge 74 anos de resistência
Brilho e beleza negra na telinha
Para ajudar a encarar esse período difícil que estamos vivendo, que infelizmente não podemos ir para a ruas celebrar, pois, esperamos que a vacina chegue para todos e que a pandemia seja controlada para que possamos celebrar a beleza da vida com os tambores da nossa cultura, dança, samba-reggae e o axé da nossa Bahia. Enquanto isso não acontece, seguimos caminhando no universo digital, através das telinhas compartilhando o colorido, a força, cultura, determinação, legado, alegria e a musicalidade dos três blocos que contaram um pedacinho de suas histórias: o nosso Bankoma; Cortejo Afro e Ilê Aiyê. Saudamos a todos os personagens, comunidades, profissionais, patrocinadores, apoiadores e principalmente ao público que estava aguardando ansiosamente pelo filme.
Como se deu o chamado para a ser a matriarca do Terreiro São Jorge?
Desafios...
- São todas as dificuldades que um povo negro enfrenta, que toda mulher negra enfrenta. São desafios de luta por respeito, igualdade, políticas públicas e justiça social.
Alegrias...
De poder contribuir com a comunidade. Alegria de ter o Bloco Afro Bankoma, alegria em ser Mameto Nkisse de terreiro e acreditar na energia dos Nkises, sabendo que pode vencer todas as dificuldades que se coloca a nossa frente
Participação no documentário?
Emocionante! Um espaço que a gente ocupou para falarmos sobre a nossa história e vivências. Para mim foi de uma importância muito grande.
Qual a dimensão deste filme?
Neste momento de pandemia os espaços virtuais possibilitam a conexão com os nossos e com o mundo. É muito importante ocuparmos estes espaços para que possamos ampliar a nossa voz e fazer que chegue nos quatro cantos do mundo.
Considerações...
Desde o começo da pandemia que os nossos povos de matriz africana, estão com os joelhos no chão e pedindo a todos os Nkises - Orixás, que nos tragam a cura e as energias. E que nos atendeu em forma de vacina! Somos gratos a todas as energias e nesse momento pedir que ela chegue a todos sem discriminação. Gostaria de reforça para continuarmos nos protegendo e protegendo a quem amamos, pois, mesmo com a vacina, devemos continuar usando máscara e Kala Monzo - Fique em Casa.
Márcio Wesley | DRT/BA 5469
Jornalista | MBA em Comunicação
e Semiótica na linguagem artística
www.blogdomarciowesley.com.br

Banda gira, mukuiu mameto e irmãos, mukuiu NZambi a todos.
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