Top Ad unit 728 × 90

 


Últimas notícias

recent

Coriolano Oliveira, “a cidade não conhece a sua história”


Por Márcio Wesley

 

Coriolano Oliveira
Coriolano no quintal de casa, adora este cantinho das bananeiras   


Coriolano Alberto Andrade de Oliveira Filho é uma dessas figuras marcantes que a gente tem o prazer de conhecer. Inteligente, criativo, empreendedor, solidário e um apaixonado pela nossa terra. Por três décadas conduziu com maestria a famosa Barraca da Gávea, na orla de Vilas, digo famosa, porque a barraca foi além da gastronomia e se transformou em um “ponto de cultura” reunindo intelectuais, jornalistas, lideranças comunitárias, estudantes, pesquisadores, mestres da cultura popular, professores, empresários e políticos. A partir desta interação sugiram grandes projetos que deram destaque a barraca de praia e a nossa gente. Cori levou para o lado nobre do município as raízes populares, quebrando paradigmas e preconceitos burgueses. A Gávea foi uma espécie de “Circo Voador” de nosso município com pautas multiculturais, shows, apresentações de grupos populares, exposições, práticas esportivas, conferências e o incremento de projetos sociais que amparou muita gente e instituições.

Com 76 anos, o pedagogo de formação mantém a alma e a mente empreendendo, apesar da saudade de sua eterna e querida dona Vera, com quem compartilhou 50 anos de companheirismo. Com tudo isso,  segui a jornada com resiliência. Passou a barraca adiante, mas a vida é assim mesmo, tudo tem o seu tempo: início, meio e o recomeço de um novo ciclo. O que posso dizer é que o lobo do mar continua observando os mares para além do horizonte, potencializando ações e projetos.  

Márcio Wesley – Como Lauro de Feitas entrou na sua vida?

Coriolano Oliveira - Eu era diretor de uma grande empresa de segurança instalada aqui em Lauro de Freitas e por conta do trabalho eu frequentava o município. Conheci Vilas do Atlântico através dos amigos Maurício Mendonça e sua esposa Sônia, Antônio Guimarães e Aninha, que foram donos da barraca Odoya. E foi numa dessas visitas que vi o espaço da Gávea, achei interessante e não pensei duas vezes em mudar de atividade profissional, confesso que também estava em busca de qualidade de vida aos 45 anos. Não teve jeito, decidimos vir morar definitivamente aqui em Lauro. Meu filho Caio foi estudar no Colégio Apoio e minha querida e saudosa Vera seguiu como Assistente Social do Hospital Menandro de Farias. Fui o segundo proprietário da Gávea, o primeiro foi o Gilbert, que ficou dois ou três anos à frente da barraca. Vi perspectivas de um projeto inovador e coloquei muitas coisas em prática. Há trinta anos Vilas do Atlântico era carente de atrativos e a comunidade tinha que ir para Salvador a procura de diversão. Assim, vislumbrei um campo aberto para trabalharmos com entretenimento a beira mar.    

Barraca da Gávea anos 80
Barraca da Gávea década de 1980 


Qual a importância da Barraca da Gávea para nossa cidade? 

Desenvolvemos três linhas de atuação: social, cultural e esportiva. O conceito social da Gávea atravessou fronteiras e estreitou relações com a nossa comunidade. Colaboramos consideravelmente com a sociedade apoiando projetos, participando de conferências e em construções de políticas públicas através da criação de conselhos de diversos segmentos, como meio ambiente, turismo, cultura, desenvolvimento social, dentre outros. Entendemos a importância da sociedade em se organizar para contribuir e cobrar melhorias do poder público. Essas ações me deram uma dimensão importante da cidade e suas comunidades, lideranças, artistas, desportistas, produtores culturais, empreendedores, empresários e políticos. Com isto, trouxemos para a orla de Vilas vivências maravilhosas. E foi nestes encontros que conheci o amigo e historiador professor Gildasio Freitas, que me apresentou a cidade e sua riqueza histórica com profundidade. O professor Tássio Revelat é um educador que tenho admiração e ele sempre faz questão de ressaltar que a Gávea fazia em vários momentos o papel das secretarias de Cultura e de Desenvolvimento Social, porque 80% dos grupos culturais e associações comunitárias do município tiveram algum tipo parceria e ou apoio financeiro da Gávea.  

 

Grupo Bambolé
Grupo cultural Bambolé se apresentando na Gávea 


A Gávea teve uma importância relevante no cotidiano de Lauro de Freitas, se destacando pelo entretenimento e a produção de inúmeros projetos, fale sobre está construção?   

As políticas de gestão da Gávea foram divididas em três nichos como já falei anteriormente e a cultura foi um dos mais importantes deste triple, que nos permitiu conhecer os mestres da cultura popular e artistas da cidade que abrilhantaram a Gávea com suas apresentações e ensinamentos. Quero agradecer a todos que fizeram parte disso comigo, os amigos do Rotary Club, Lions Maçonaria, empresários, faculdades, artistas, educadores, pesquisadores, desportistas e gestores públicos. Realmente foram muitos projetos e ações que realizamos ao longo desses anos, como a sexta da boa música, festas de final de ano (réveillon), luta de boxe na praia com Popó, escolhinha de surf, paraquedismo, escola de vôlei de praia, Gávea acessível e o torneio de pesca submarina, onde todo o pescado era distribuído entre as instituições do município, já chegamos a arrecadar uma tonelada de peixe. Tivemos projetos esportivos da Coca-cola, programas da MTV com artistas nacionais e muito mais. 

 

Qual a importância da preservação da memória de nossa cidade e como anda está questão? 

Quando falamos de cultura e preservação da memória nos deparamos infelizmente com a falta de lastro e de ações sensíveis por parte do governo. A sociedade clama por uma reforma de concepção neste contexto e almeja da gestão pública mais empenho e organização neste sentido. Desde 1990 que escuto de lideranças, artistas e antigos moradores sobre a ineficiência de políticas públicas no segmento cultural, tenho centenas de relatos sobre este assunto e também boas histórias de luta para manter acessa as tradições e a memória. Os grupos culturais, as festas populares e as antigas celebrações religiosas representam um conjunto de expressões que afirmam a identidade de um povo e não podemos perder isto. Meu interesse pela história e a memória surgiram a partir de visitas que fiz nos quatro cantos da cidade com lideranças e com o nosso mestre Gildásio Freitas, que tem um conhecimento grandioso sobre este assunto. Desde modo, pude entender e me apaixonar pela história, raízes culturais e entender a importância de se preservar tudo isto. Mas nem tudo são flores, confesso que com a criação do fundo municipal de cultura, a cultura popular e a salvaguarda da memória do município teriam dias melhores, infelizmente isto não aconteceu. Financiamos através da Gávea uma pesquisa aprofundada do período colonial da cidade, contratamos uma consultoria especializada em pesquisas historiográficas em museus e tivemos grandes descobertas. Conseguimos importantes documentos e relatos desde a chegada dos portugueses, aviação francesa, os engenhos e muito mais. Não sou de ficar criticando apenas, tenho a consciência tranquila de que eu e muitos outros estamos fazendo a nossa parte neste processo de preservação da memória, mas é necessário que o poder público também faça a sua.         

 

Barraca da Gávea
Barraca da Gávea na paradisíaca praia de Vilas   

Professor obrigado pela entrevista e a oportunidade de poder entrevistá-lo, quais são suas considerações finais?

Quero agradecer a oportunidade e dizer que você e sua família tem uma importância enorme para a cultura e a preservação da memória do município. Aproveito para reafirmar a necessidade do desenvolvimento de políticas públicas culturais para a criação de um moderno centro de cultura com infocentro, biblioteca,  museu e um teatro municipal para possamos salvaguardar a memória da nossa cidade. É necessário um inventário organizado com pesquisadores, escritores, relatos de moradores antigos, pescadores, marisqueiras, terreiros, mestres e mestras da cultura popular, artistas e suas produções. Como podemos falar de identidade ou memória, se não temos este acervo disponível ao púbico? O município é riquíssimo culturalmente, Pierre Verger morou aqui e quase ninguém sabe disso. A cidade não conhece a sua história e isso é preocupante. 





 Márcio Wesley | DRT/BA 5469

 Jornalista | MBA em Comunicação 
 e Semiótica na linguagem artística 
 Licenciatura em História 
www.blogdomarciowesley.com.br



Instagram 
https://www.instagram.com/marciowesleycnery/?hl=pt-br 
Facebook
https://www.facebook.com/marcio.wesley.31 
https://www.facebook.com/M%C3%A1rcio-Wesley-108941207711441


Coriolano Oliveira, “a cidade não conhece a sua história” Reviewed by Márcio Wesley on fevereiro 16, 2021 Rating: 5

5 comentários:

  1. Boa tarde! Só faltou ele citar Arquivista, Documentalista ou Bibliotecário/a.

    Gostei da entrevista

    ResponderExcluir
  2. Parabéns Wesley, por entrevistar um ser humano magnífico que é CORI, ardorosso defensor da história e da cultura de Santo Amaro de Ipitanga, nossa Lauro de Freitas. Muitos passarão conhecer CORI sua luta e quem sabe nossas Autoridades estimuladas por este exemplo de voluntário protetor e divulgador Cultural tenha olhar mais generoso para quem faz cultura, arte e faz história no nosso Município. Nós da Oscip Rio Limpo, queremos registrar a enorme contribuição que nosso Conselheiro fundador, CORI, tem dado a preservação do nosso Patrimônio Natural. Nosso abraço CORI.

    ResponderExcluir
  3. É tão bonito ler um relato desses e, ao mesmo tempo, hilário!

    Há mais de 15 anos, foi criado um portal, com a finalidade única de divulgar a história do município, visto que, até mesmo, alunos da rede municipal, não sabiam o porque de o nome da cidade ser "Lauro de Freitas".

    Quando seus criadores foram em busca destas informações, deram com os burros n'água e uma pergunta, de um dos "detentores da história de Santo Amaro de Ipitanga":

    - quanto vou levar nisso?

    Ora, o projeto "Portal de Lauro" não tinha, ainda, um "valor comercial" (como não conseguiu alcançar até os dias de hoje), como poderia falar de pagamentos "por informação".

    Passados 12 anos, seus criadores o resgatam, das cinzas e volta a bater à porta daqueles que "fazem cultura" no município e as respostas são ínfimas, nem mesmo os artistas da terra respondem ao convite para falar de seus trabalhos.

    Do autor da matéria acima, aguarda-se uma resposta de contato, para trazer seu conhecimento sobre "Santo Amaro de Ipitanga", para dentro do "PORTAL DE LAURO", o único portal exclusivamente criado para falar do que é cultura, educação, meio ambiente e educação.

    Alguns que se diziam "parceiros", passaram e não conseguiram entender a grandiosidade de uma mídia que não se vende à política, nem a politicagem. Uma mídia que se mantém firme, em se tratando da sua linha editorial, não publicando nenhum assunto que não tenha a ver com esta.

    Enfim, falam muito, agem muito menos e não valorizam o que já está pronto.

    Seria por vaidade???

    Vai entender!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Apenas corrigindo: "o entrevistado acima", não o autor!!!

      Excluir
  4. Que fique CLARO a Oscip Rio Limpo,constituída em 2009, jamais foi consultada por este senhor Ney Barbosa, sobre questões do Meio Ambiente do Município. Aliás também não sabemos da existência deste "Portal de Lauro". Fernando Guimarães Borba, Diretor fundador da Oscip Rio Limpo.

    ResponderExcluir

Todos os direitos reservados Blog do Márcio Wesley © 2021
Desenvolvido por Agencia 16

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.