Caique Copque, um ator do nosso Litoral Norte levando a nossa Bahia para o mundo
O cinema brasileiro tem um representante na disputa pelo Leopardo de Ouro, principal prêmio da competição internacional do prestigiado Festival de Cinema de Locarno, na Suíça. E há um motivo a mais para nós, do Litoral Norte da Bahia, acompanharmos essa história com atenção e orgulho.
O protagonista de A Margem do Rio é o ator baiano Caíque Ivo Copque. Dirigido por Matheus Pariz e Enock Carvalho, o filme acompanha Ezequiel, personagem interpretado por Caíque.
Auxiliar de serviços gerais, ele procura durante a noite encontros secretos nos manguezais do Recife. Sua rotina muda quando conhece Jeremias, um pescador vivido pelo ator Ítalo Martins.
A presença de A Margem do Rio em Locarno coloca o cinema brasileiro diante de uma importante vitrine internacional. E Caíque, além desse trabalho, também integra o elenco de Agente Secreto, outro filme brasileiro que ganhou espaço no circuito internacional de premiações e chegou à disputa pelo Oscar.
Mas essa história tem para mim um significado que vai além do cinema. Caíque Copque é filho de Diego Copque, historiador, escritor e um grande amigo de batalha pelo reconhecimento do Recôncavo Norte (Litoral Norte), na luta pela Independência do Brasil na Bahia.
Conheço a relação de Diego com a pesquisa, com a história, literatura e com a cultura, por isso fico ainda mais orgulhoso em acompanhar o caminho que seu talentoso filho vem construindo nas artes.
Existe também uma ligação com Lauro de Freitas que não poderia deixar de registrar.
O saudoso Duzinho Nery, teatrólogo, (meu irmão) é um dos nomes que ajudaram a construir a história do teatro em nossa cidade, chegou a cursar algumas disciplinas na UFBA ao lado de Caíque. São encontros que o tempo acaba transformando em memória.
Formado em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia, em 2018, Caíque vem construindo sua carreira entre o teatro, o cinema e a literatura.
No palco, participou de espetáculos como Rebola!, de Thiago Romero, e Casmurro, de Jessica Menezes.
No cinema, além de A Margem do Rio, protagonizou Mapas, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Calunga de Melhor Ator e o Prêmio Especial do Público no Cine PE 2026. Também esteve em Marinheiro Só, curta que circulou por festivais e lhe trouxe uma indicação ao prêmio de Melhor Ator no Clapboard Golden Festival.
Na literatura, publicou em 2025 O apreço profuso da chuva, pela Editora Lili zum. Uma trajetória que mostra um artista disposto a transitar por diferentes linguagens sem abandonar a pesquisa e a escrita.
A gente conhece as dificuldades de quem nasce e começa a construir sua caminhada artística longe dos grandes centros. Por isso, quando alguém do nosso território chega a um dos mais importantes festivais de cinema do mundo, vale parar um pouco para olhar.
Não é apenas um ator baiano em um festival na Europa. É um jovem artista que saiu de uma realidade que conhecemos e hoje está ocupando espaços que, durante muito tempo, pareciam distantes para a nossa gente.
Que Caíque continue crescendo. E que a gente aprenda também a olhar para os nossos artistas enquanto eles estão construindo seus caminhos.
Porque ver a nossa gente chegando longe é uma forma de reconhecermos o lugar de onde viemos.
Márcio Wesley, jornalista, músico, professor e
Conselheiro municipal de cultura (Patrimônio)
Instagram @marciowesleycnery
Caique Copque, um ator do nosso Litoral Norte levando a nossa Bahia para o mundo
Reviewed by Márcio Wesley
on
agosto 19, 2026
Rating:
Reviewed by Márcio Wesley
on
agosto 19, 2026
Rating:






Nenhum comentário: