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Artista PCD denuncia constrangimento no Pedrão de Lauro



O acesso de um artista ao palco de um evento público deveria representar o reconhecimento da cultura e da diversidade. No entanto, um episódio ocorrido durante o Pedrão de Lauro transformou um momento de celebração em motivo de indignação.

Dias após o ocorrido, durante outro evento cultural da cidade, encontrei o músico e agente cultural Isahias Sampaio. Além de jornalista, também sou músico e conheço de perto a realidade dos bastidores dos palcos. 

Foi nesse encontro que Isaías me contou, com profunda tristeza, tudo o que afirma ter vivido ao tentar acessar o Pedrão de Lauro, onde faria uma participação especial, a convite do artista Wellington Pacheco.

Segundo seu relato, ao chegar ao acesso do evento, na Praça João Tiago dos Santos, mesmo após se identificar como artista convidado, teve sua entrada impedida sob a alegação de que deveria apresentar uma suposta "carteira de músico", documento que não é exigido pela legislação brasileira para o exercício da atividade artística. 

A situação teria se prolongado por cerca de vinte minutos, mesmo com artistas e pessoas presentes confirmando sua identidade e sua participação na programação.




O episódio torna-se ainda mais sensível porque Isaías é pessoa com deficiência e utiliza um triciclo elétrico como instrumento de mobilidade e autonomia. Sua esposa explicou aos responsáveis pela abordagem que aquele veículo representa um recurso indispensável de acessibilidade e que ambos exerciam um direito assegurado por lei. Ainda assim, segundo o relato, ela foi tratada de forma desrespeitosa durante a ocorrência.

Enquanto conversávamos, uma cena me marcou profundamente. A esposa de Isaías, ainda bastante abalada, emocionou-se ao recordar o episódio. Com lágrimas nos olhos, desabafou:

Só quem convive com uma pessoa com deficiência sabe o que enfrentamos

A discriminação, a falta de compreensão e a ausência de apoio machucam muito. O que aconteceu no Pedrão foi algo extremamente sério e muito triste

Suas palavras não expressavam apenas revolta. Revelavam o desgaste de quem, diariamente, precisa enfrentar barreiras que deveriam ter sido superadas há muito tempo por uma sociedade que se diz inclusiva.



Segundo Isaías, outro momento de grande constrangimento ocorreu durante a abordagem, quando se sentiu intimidado pela postura adotada pelo agente público municipal, que se aproximou mantendo a mão próxima ao coldre.

O acesso ao evento somente foi autorizado após a intervenção de Igor Fidelis (servidor da prefeitura), que conhece de perto os filhos de nossa cidade.



O episódio suscita uma reflexão que vai muito além do caso em si. Uma gestão pública verdadeiramente humanizada não se faz apenas com grandes eventos ou boas estruturas. Faz-se, sobretudo, com pessoas preparadas para servir à população.

Servidores públicos precisam conhecer a cidade onde atuam, suas lideranças comunitárias, seus artistas, seus agentes culturais e compreender a realidade das pessoas com deficiência.

Também não consigo deixar de fazer uma pergunta. Se, naquele mesmo momento, quem chegasse ao acesso fosse Bell Marques, Ivete Sangalo, Jau ou Solange Almeida, a abordagem teria sido a mesma? 

Mas o simples fato de essa dúvida existir revela uma inquietação importante: todos os artistas, independentemente da fama ou do reconhecimento nacional, merecem o mesmo respeito e a mesma dignidade. O artista da terra não pode ser tratado como alguém de menor importância.

O caso também reforça a necessidade de capacitação permanente dos agentes públicos de segurança que atuam em grandes eventos, especialmente quanto aos direitos das pessoas com deficiência, ao atendimento humanizado e à valorização da cultura local.



Isaías informou que pretende encaminhar o caso aos órgãos competentes, para que os fatos sejam devidamente apurados e, se necessário, sejam adotadas as medidas administrativas e legais cabíveis.

Independentemente da conclusão das investigações, este episódio deixa uma lição importante. Respeitar uma pessoa com deficiência não é um gesto de gentileza; é uma obrigação legal e moral. Da mesma forma, valorizar os artistas da cidade significa reconhecer aqueles que ajudam a construir a identidade cultural do município.

Lauro de Freitas merece ser lembrada pela força da sua cultura, pela qualidade dos seus eventos e, principalmente, pela forma como acolhe seus cidadãos. Uma gestão verdadeiramente humanizada começa exatamente aí: no respeito às pessoas.


Márcio Wesley, jornalista, músico, professor e 
Conselheiro municipal de cultura na cadeira   
do Patrimônio Cultural | Instagram @marciowesleycnery

Artista PCD denuncia constrangimento no Pedrão de Lauro Reviewed by Márcio Wesley on julho 05, 2026 Rating: 5

2 comentários:

  1. O pequeno poder sempre reforçando o país que somos: racista, homofóbico, machista, etc e que não respeita cadeirantes, velhas/os, e grupos subalternizados ! Grande abraço e força a mais uma vítima do preconceito advindo do pequeno poder e da falta de educação e estudo!!!!

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  2. Lamentável é ruim pra pior,anos se passam e nos parece que repete tudo de novo.É típico do perfil dessa gestão, assustador.

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