2 de Julho em Lauro: sem políticas de memória, sem compromisso com a salvaguardar
Por Márcio Wesley
As comemorações da Independência da Bahia carregam um significado que vai muito além dos desfiles e atos cívicos. Representa a força de um povo que lutou pela liberdade e pela construção da identidade baiana.
Para nossa cidade, essa celebração possui um valor ainda mais especial, pois marca também a inserção permanente do Recôncavo Norte nas festividades, reunindo municípios como Lauro de Freitas, Camaçari, Dias d'Ávila e Mata de São João.
Tive a honra de ter participado dessa construção histórica como jornalista, ao lado dos amigos e pesquisadores Diego Copque, de Camaçari, e Coriolano Oliveira, de Lauro de Freitas. Um trabalho desenvolvido por pessoas que compreendem a importância da memória, da identidade e da valorização das nossas raízes.
Neste ano, optei por não integrar a equipe de organização das atividades. Por questões pessoais e sem divergências com qualquer integrante da gestão municipal. Minha decisão foi comunicada de forma clara: só participaria caso houvesse a criação de um núcleo permanente de pesquisa e preservação da memória histórica e cultural de Lauro de Freitas, formado por pesquisadores e pessoas comprometidas com a construção de políticas públicas estruturantes para o setor.
Infelizmente, até o momento, não existe nenhuma iniciativa concreta nesse sentido. Pior do que isso, não se percebe interesse em desenvolver uma política permanente de valorização da história local. Sem pesquisa, sem documentação e sem planejamento, a preservação da memória fica restrita a ações pontuais, sem continuidade e sem resultados duradouros.
É importante lembrar que a inserção de Lauro de Freitas nas comemorações do 2 de Julho não aconteceu por acaso. Foi resultado de uma luta construída por pessoas que dedicaram tempo, conhecimento e compromisso ao resgate da nossa história. Os protagonistas desse processo continuam vivos e atuantes.
O marco histórico vem sendo tratado sem relevância, apenas como mais um evento de calendário, esvaziado de seu significado educativo, cultural e identitário. O que está em jogo não é apenas a realização de uma celebração anual. Trata-se da falta de construção de políticas públicas capazes de proteger documentos, incentivar pesquisas, registrar depoimentos, valorizar os patrimônios materiais e imateriais e garantir que as futuras gerações conheçam a história da cidade onde vivem.
As escolas da rede municipal não tem conhecimento deste fato. A falta material didático para auxiliar os professores e alunos neste sentido é algo inaceitável
A preservação da história do nosso município não pode depender da boa vontade dos gestores: prefeitos, perfeitas ou secretários e secretárias. Ela precisa ser tratada como patrimônio permanente da sociedade.
Uma cidade que não preserva a sua memória corre o risco de perder a sua identidade. Uma cidade que ignora seus pesquisadores, seus mestres e seus guardiões da cultura enfraquece os próprios alicerces sobre os quais constrói o futuro.
O 2 de Julho é resistência. É pertencimento. É memória viva. E a história só permanece viva quando existem pessoas dispostas a defendê-la com coragem, compromisso e responsabilidade.
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junho 26, 2026
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