418 anos e Lauro continua sem projetos de preservação
Por Márcio Wesley
Lauro de Freitas completa neste mês de janeiro 418 anos de história. A Festa do Padroeiro Santo Amaro de Ipitanga segue viva, resistindo ao tempo, mantendo a fé e uma parte importante da nossa identidade cultural. Tenho acompanhado a presença de gestores públicos apoiando e participando de movimentos culturais em nossa cidade. Ações importantes, necessárias e simbólicas.
Algumas dessas manifestações representam o passado, a memória e a formação cultural do povo ipitanguense. E memória não se preserva apenas com presença pontual em eventos ou discursos. Preservar memória exige políticas públicas contínuas e eficazes. Estar ao lado dos produtores culturais e artistas apenas nos dias de festejo é pouco. É preciso caminhar junto durante todo o ano, com oficinas, rodas de conversa, editais permanentes, apoio financeiro e ações constantes.
A educação, cultura e o turismo por exemplo, precisam andar de mãos dadas com a preservação da nossa história e da nossa cultura. Se não compartilharmos com as novas gerações quem somos e de onde viemos, o esquecimento continuará sendo regra. Muito se falou sobre mudança. Muito se prometeu. Mas até agora o que se vê é que as secretarias seguem funcionando como ilhas, desconectadas entre si e distantes de um projeto real de cidade.
São 418 anos de história. Quatro séculos de memória. Mesmo assim, Lauro de Freitas segue sem um núcleo de patrimônio histórico e cultural estruturado. Não temos um museu municipal nem um centro de memória capaz de preservar, pesquisar e contar a trajetória de nosso território e nossa gente.
Muita coisa já se perdeu. Outras tantas estão se perdendo. Os produtores culturais da cidade estão cansados. Cansados de cobrar, de insistir e de lembrar que a preservação da memória precisa fazer parte da rotina da gestão pública e não apenas do calendário de festas.
O legado precisa ser valorizado. Precisa fazer parte das políticas públicas. Uma cidade que ignora a própria história compromete o seu futuro. Celebramos a festa do padroeiro. Mantemos viva a fé e a tradição graças ao povo. Mas a história de Lauro de Freitas não pode sobreviver apenas da resistência popular. Institucionalmente a nossa memória segue esquecida. E memória quando se perde não se recupera.
Márcio Wesley
Jornalista | MBA em comunicação
Professor de artes | DRT/BA 5469
Reviewed by Márcio Wesley
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janeiro 12, 2026
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Parabéns pela matéria. Infelizmente, ela reflete exatamente o que vivenciamos: a ausência de interesse político efetivo neste município.
ResponderExcluirExcelente reflexão 👏🏿👏🏿👏🏿 parabéns pelo texto!!!
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