Lauro de Freitas, um museu de ausência
A convite do jornalista Accioli Ramos, editor da Revista Vilas Magazine, revisitei e atualizei uma reflexão que escrevi há alguns anos sobre a importância da preservação da memória histórica e cultural do nosso município. Infelizmente, a constatação ao reler o texto é que ele permanece assustadoramente atual.
Sob o título "Lauro de Freitas, um museu de ausências", trago uma crítica franca sobre a falta de políticas públicas permanentes e o apagamento da história da antiga Freguesia de Santo Amaro de Ipitanga. Entendo que este é um debate que não pode mais ser adiado pela gestão pública e pela nossa sociedade.
"Eu vejo o futuro repetir o passado". A frase da canção de Cazuza parece ter sido escrita para nossa cidade. Porque, quando o assunto é preservação da memória, seguimos andando em círculos entre promessas, discursos e esquecimentos.
O fato é que assustadoramente nada mudou em relação à preservação da nossa história ou à criação de projetos sérios nesse sentido. A gestão atual prometeu, promete e ainda não entregou ações concretas voltadas à preservação da memória, mesmo tendo uma prefeita nativa, assim como eu e talvez você que lê este artigo.
Um território que carrega mais de 400 anos de história, antiga Freguesia de Santo Amaro de Ipitanga, segue apagado dentro das escolas públicas e privadas. E fica a pergunta: de quem é a culpa?
A resposta sobrevive na ausência de políticas públicas sérias, permanentes e comprometidas com a preservação das nossas raízes. Lauro de Freitas precisa de ações concretas, projetos contínuos e da criação de um Núcleo de Patrimônio Histórico e Cultural composto por profissionais qualificados para cuidar exclusivamente dessa pauta.
Cadê o museu do povo ipitanguense? Cadê o Núcleo do Patrimônio Cultural? Cadê a requalificação do Centro Histórico? Cadê os vereadores nessa discussão? Cadê o memorial do 2 de Julho? Aliás, cadê até mesmo uma Câmara Municipal própria?
Márcio Wesley, jornalista, professor e conselheiro municipal de cultura, cadeira do Patrimônio Cultural
Lauro de Freitas, um museu de ausência
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junho 18, 2026
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