Top Ad unit 728 × 90

 


Últimas notícias

recent

Andréa Mota – “Arte na minha vida é o meu pão de cada dia”


A Comida
Em cartaz "A Comida" espetáculo de Andréa Mota 





A nossa conversa estava marcada desde o ano passado, mas tudo tem seu tempo e hora para acontecer. Estamos aqui e a hora chegou!  Déa é uma atriz inteligentíssima e talentosa, além de uma pessoa iluminada e apaixonada pela arte. Tudo que faz é sempre interessante. Discípula de Hirton Fernandes, o cara que revolucionou a cena teatral em Lauro através através do Grupo Tupã, deixando um legado enorme e muitos multiplicadores. Neste próximo final de semana Andréa Mota fará estreia de seu espetáculo solo, “A Comida”, no Teatro Eliete Teles, Itinga, nos dias 14 e 15 de maio, às 19 horas.       

 

Andréa Mota, 49 anos, licenciada em teatro pela UFBA, reside em Lauro há 30 anos, veio morar definitivamente quando casou. “Me apaixonei por essa cidade desde então. Aqui criei meus filhos e iniciei a minha carreira artística influenciada pela história deste município”, revela Andréa. O palco entrou na sua vida através de uma oficina de teatro e dança realizada na ocasião, no Cine Teatro de Lauro de Freitas. Oficina promovida pela FUNCEB – Fundação Cultural do Estado da Bahia, projeto chamado “Viver com Arte”.  

 

Como as oficinas são importantes e necessárias para as nossas comunidades, revelam artistas e dão aporte para que os dons sejam suscitados. A FUNCEB precisa VOLTAR a atuar mais neste sentido. Aliás, precisamos de uma reforma urgente no nosso Cine Teatro, que vive dias de terror e de abandono, até mesmo sem profissionais técnicos para dar suporte a nossa comunidade. 


A turma da cultura vai se virando como pode. Precisamos manter a produção cultural viva, de equipamentos adequados e de profissionais à disposição para dar apoio técnico a nossa gente. Cultura é coisa séria!   

   

 

Andréa Mota formada na Escola
de Teatro da UFBA 



Mas vamos logo ao assunto principal que é a nossa amiga Andréa Mota e a influência do Tupã Teatro na sua vida. “Quando o grupo foi formado a partir de um projeto de Hirton Fernandes, ainda não tinha nome. Tínhamos duas vertentes de pesquisa a cultura brasileira através dos povos que formaram a nossa nação e o grupo Odim Teatret Laboratoriun da Dinamarca, através de Eugenio Barba, diretor do grupo e criador da Antropologia Teatral”, explica Déa.



Início do laboratório


A princípio queríamos que o grupo se chamasse Toré,  porém como Toré é uma dança indígena sagrada e integrantes de uma tribo nos pediu para não usar como nome do grupo para não banalizar. Então foi batizado de Tupã (Deus em Tupi-guarani) e Teatro Laboratório, pelo tipo de teatro que queríamos realizar.


O Tupã teatro foi um grupo de pesquisa, arte-educação que surgiu em 1999, idealizado e posto em prática por Hirton Fernandes que tinha uma forma inovadora de fazer teatro. Hirton apresentou o projeto de formação de um grupo de teatro em Lauro de Freitas, que seria apoiado no princípio pela prefeitura em troca de multiplicações de saberes, através de oficinas para alunos da rede municipal.


Foi realizada uma audição de três dias com artistas locais que foram pré-selecionados para uma vivência de 30 dias, dos quais, seriam escolhidos os participantes para o grupo. Foi montado um espetáculo sobre a obra do poeta Tude Celestino, “Tude é Poesia”.

 

Na primeira seleção foram 30 artistas entre músicos, atores e dançarinos. Desses, dez foram escolhidos para compor o grupo, dentre eles eu, Antônio Lírio, Eliana Alcântara, Emanuela Ferreira, Geisa Moreira, Gustavo Figueiredo, Luciene Ferreira, Mario Alves, Rubenval Menezes e Venicio Coelho, que teve passagem rápida pelo grupo.



 

O Tupã foi um grupo de pesquisa,
arte e educação 

 



Arte-educação nas escolas 

 

O grupo Tupã trazia uma forma inovadora de formação dos componentes e multiplicadores. Os participantes tinham aulas de canto, teatro, dança, didática, artes plásticas, capoeira e repassavam o aprendizado em oficinas para alunos das escolas do município. Tendo surgido com essa iniciativa muitos grupos como o Iprere, com idosos de Portão, Potiró e Ereoatá, esse ultimo muito ativo e atuante no município até hoje. Todo ano era montado um espetáculo de finalização das oficinas com a participação dos estudantes.

 

O Tupã representou um grande movimento em Lauro de Freitas, foi um grupo onde as pessoas se dedicavam integralmente, sem sacrifícios. Tínhamos como base a pesquisa, formação e a multiplicação desse conhecimento artístico através de projetos de arte-educação e intercâmbios local, nacional e internacional.

 





Cultura abre horizonte

 


Para mim repercutiu de uma forma positiva, pois mudou as minhas perspectivas de ver o mundo e me possibilitou acesso ao conhecimento e a formação artística


Pude conhecer pessoas e culturas diferentes. Sou grata a Hirton e a todos os colegas que passaram pelo Tupã. E através do grupo conheci Rafael Magalhães e Luis Alonso, onde dei continuidade ao meu trabalho com o grupo Oco Teatro

 



Intercâmbio

 

Fazíamos saraus e encontros entre grupos. O projeto “Zig Zag Cultural” foi grandioso, passamos por várias cidades da Bahia com apresentações e participações de artistas dessas localidades, além de projetos junto às escolas, festivais e intercâmbio internacional com o grupo dinamarquês Ragnarock, aliado com o repertório e montagens que tínhamos: Tude é Poesia; Yaba; Narizinho no Mar da Imaginação e Inca. Era tudo muito vivo, cheio de entusiasmo e sonhos!

 





Hirton foi o idealizador, um sonhador que soube concretizar seus sonhos e impulsionar o de outras pessoas. Com larga experiência como ator e professor estava sempre um passo à frente. Dirigia e produzia, mas todos trabalhavam muito. Fazíamos um pouco de tudo no grupo. Sem essa participação e dedicação dos integrantes nada seria possível. Atualmente Hirton segue concluindo o doutorado em cinema em Portugal e produzindo trabalhos neste nicho do audiovisual.

 


Tupã deixou sementes?

 

O Tupã deixou sementes, árvores enraizadas e muitos frutos.  No Tupã éramos incentivados a crescer e estudar. Tivemos componentes que foram secretários de cultura do município, outros formados em teatro deram continuidade a seus trabalhos em diversos grupos aqui no Brasil e em outros países.


O grupo Ereoatá dirigido por Rubenval Menezes e Eliete Teles, segue transformando vidas através da arte e levando o nome da cidade pelo mundo com seus projetos. Cada vez que encontro um ex-aluno e ele recorda com carinho do nosso trabalho, fico muito feliz.





 

Depois do Tupã

 

Entrei para o curso de Teatro na UFBA e no grupo Oco Teatro Laboratório, onde participei de montagens, assistência de produção no FILTE (Festival Latino Americano de Teatro da Bahia). Participei de muitos festivais no Equador, Peru, Espanha, Estados Unidos, além de cidades do Nordeste, interior da Bahia e de projetos de formação do Oco Teatro. 



Eu era professora do município de Salvador e de Lauro  de Freitas em escolas públicas e privadas, com a pandemia fui dispensada e estou fazendo um pouco de tudo para viver

 



Espetáculo  


Agora no mês de maio estreio meu primeiro trabalho totalmente solo, depois de quase 20 anos de profissão. Será o meu presente de 50 anos e a realização de um sonho. Estão todos convidados para assistir “A Comida” dias 14 e 15 de maio no Teatro Eliete Teles, a partir das 19 horas. O teatro fica na Rua Nossa Senhora Aparecida, Jardim Centenário, Itinga, Lauro de Freitas. Contato (71) 98813-5404, ingressos R$ 20 e antecipados meia. 




“A Comida” dias 14 e 15 de maio
 no Teatro Eliete Teles


 


“A Comida”        


Representa sustento, cultura, ancestralidade, afeto, prazer ou medo? Depende do seu lugar! Depende de quem come e como come. Faremos uma reflexão com uma irreverente, contraditória e fantástica personagem que está no topo da cadeia alimentar e preocupada com a possível extinção do seu alimento. 


Expõe a nossa relação com a comida questionando a crueldade com os animais, uso de agrotóxicos, monoculturas, desperdício, fome e exalta a ancestralidade, cultura e o prazer da comida e seus temperos. Tudo isso construído com muita música, poesia, partituras físicas e vocais. Mas não se preocupem, venham sem medo. Um animal saciado não oferece perigo!








O que é arte?


A arte na minha vida é o meu pão de cada dia, minha forma  de estar viva, minha forma de questionar e de amar. A arte se faz presente em cada busca e assim quero viver.

 



Agradecimentos...


Ao Tupã que na minha vida representou a realização de um sonho, empoderamento, oportunidades, conhecimento, reconhecimento, trabalho e amizades. Sou grata por cada momento vivido no grupo, mesmo os mais difíceis. Ao Tupã Deus, ao Tupã Teatro Laboratório, A Hirton  Fernandes, aos meus colegas e amigos. Ao querido saudoso Maestro Souza, onde estiver segue a minha gratidão.


Aos colaboradores, ao ex-secretário de Cultura Tabajara;  Virginia Pontelo (figurino e produção); Amadeu Alves (musico); Luciano Carvalho (ator); Mestre de capoeira Djalma; Mestre Fuscão; Patric Campbel; (pesquisador/intercâmbio); Zezinho (produção); Célia Santos (dança); Rafael Magalhães (pesquisador Dança dos Ventos); Marcio Wesley (primeiro jornalista\entrevistou); Marrom (funcionário do Ginásio de Esportes) e a Dona Jovem (senhora do lanche).


Reconheço a importância dos grupos na formação e na produção artística. Minha gratidão a Luis Alonso, diretor do Oco Teatro, com o qual dei continuidade as pesquisas, aprendizado, convivência e experiência em grupo. Quero também mandar um salve especial para Osvaldo Rosa, diretor da Foco Usina de Artes, que tenho aprendido muito sobre o teatro na educação. 



Leia as entrevistas com:


- Hirton Fernandes

https://www.blogdomarciowesley.com.br/2021/08/tupa-semente-do-teatro-em-lauro-de.html


- Rafael Magalhães - Oco Teatro

https://www.blogdomarciowesley.com.br/2021/04/teatro-alicerce-da-formacao-humana.html 


- Luis Alonso - Oco Teatro 

https://www.blogdomarciowesley.com.br/2022/03/diretor-teatral-luis-alonso-lauro-e.html


- Rubenval Meneses 

https://www.blogdomarciowesley.com.br/2021/03/rubenval-meneses-precisamos-nos-unir.html




Márcio Wesley | DRT/BA 5469
Jornalista com MBA em Comunicação
e Semiótica na linguagem artística

Andréa Mota – “Arte na minha vida é o meu pão de cada dia” Reviewed by Márcio Wesley on maio 12, 2022 Rating: 5

Nenhum comentário:

Todos os direitos reservados Blog do Márcio Wesley © 2021
Desenvolvido por Agencia 16

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.